Mudando o servidor

Galera,

to saindo daqui do WordPress e estou indo para o Blogspot. Segue o novo link do blog:

http://di-finance.blogspot.com.br/

Ainda estou dando uma ajeitada por lá; em breve sairão novos artigos, inclusive vou começar a postar minha carteira e o desempenho da mesma!

[]s!

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Aposentadoria com dividendos: é possível?

Fala galera!

Esses dias, andei lendo no blog do Vida Ruim de Pobre sobre aposentadoria com dividendos e deu uma discussão danada lá pelos comentários. Resumindo a história, o Pobretão chegou num número de 1,2milhões para ter uma aposentadoria R$ 120.000 anuais, que dividindo por 12 meses, o equivalente a R$ 10.000/mês.

No entanto, o blog do Viver de Renda chegou a conclusão que para o mesmo rendimento e de forma segura, o ideal seria ter 3 milhões.

Bela diferença, não é verdade?

Que fique bem claro que não podemos imaginar como será o mundo daqui há 30, 40 ou 50 anos. O máximo que pode ser feito é visualizar a situação do passado e a de hoje. Se grandes mudanças ocorrerem (e é provável que ocorram!) teremos que analisar o momento para que decisão tomar.

Muitos analistas recomendam que ao longo do tempo você diminua a exposição à renda variável (a medida que vai envelhecendo), pois em caso de quedas ou crises não teria tempo para se recuperar.

A princípio pode parecer que faz sentido. Mas eu acho que é apenas uma falácia. Digamos que você fosse dono de 1% da Vale. Faria sentido vender todas as ações (ou a maior parte delas) para comprar títulos de renda fixa? Bom, dos caras mais ricos do mundo você não vê ninguém vendendo os próprios ativos, não é verdade? Por que será, hein?

Vamos ao papo teórico pra depois ir pras contas. Primeiramente vamos entender o seguinte: o que chamamos de aposentar? Aposentar seria ter RENDIMENTOS no padrão de vida que você escolheu e de forma que eles se mantenham ao longo do tempo SEM SEREM CORROÍDOS PELA INFLAÇÃO.

Ou seja, estamos interessados em fluxo de caixa!

Para nos aposentarmos, precisamos ter um PATRIMÔNIO que GERE um bom FLUXO DE CAIXA. Este conceito é importantíssimo!

Por exemplo, se você tem um terreno hoje no valor de 3 milhões consegue se aposentar apenas com ele? Resposta: NÃO! A única coisa que esse terreno vai lhe dar é custos de manutenção, pois ele NÃO GERA rendimentos. Ele pode até estar valorizando, mas como você vai viver apenas dele? Você talvez pudesse vender ele em partes, mas digamos que não seja possível devido à área (hipotético). E aí? Como vai pagar as contas? Ou seja, você possui um PATRIMÔNIO que está até crescendo, mas não possui FLUXO DE CAIXA, que é exatamente o que você está precisando!

Analisando bem, precisamos apenas do fluxo de caixa, sem ter patrimônio algum!

Na mesma linha de raciocínio, você pode ter uma renda de vitalícia (por exemplo, pensão militar) sem ter patrimônio. Você possui fluxo de caixa, mas não possui patrimônio e, no entanto, pode se aposentar.

O blog do Viver de Renda chegou àquele valor concluindo que seria possível retirar 4% do patrimônio anualmente, ou seja, 4% de 3milhões dariam os tais R$ 10.000/mês. Ele também acredita em chamada renda passiva, ou seja, você vai fazer suas aplicações hoje e nunca mais, durante o resto da sua vida, vai mexer nele, apenas fazer retiradas. Em uma discussão nos comentários ele citou o livro The Quest for Alpha: The Holy Grail of Investing.

Existem várias discussões sobre essa (“gestão passiva” x gestão ativa); eu acredito que uma estratégia desse gênero (totalmente passiva) não pode ser boa, afinal de contas, não importa qual o tipo de patrimônio que você tenha, sempre precisa estar tomando conta dele.

Por exemplo, imagine que você monte uma carteira com uma empresa badalada hoje, mas nos anos seguintes ela vai apresentando resultados cada vez piores, dividendos menores e o horizonte dela para o longo prazo não é nada bom.  Faz sentido manter este ativo em mãos? EU não vejo NENHUM motivo para tal.

Ao mesmo tempo, vários estudos já mostraram que ter uma gestão muito ativa, ou seja, fazendo trades (comprando e vendendo o tempo todo) também não dá resultados muito melhores do que simplesmente comprar o índice.

Assim, ficamos num impasse; qual adotar? Como sempre, o bom senso é o melhor caminho. E neste caso, poderíamos seguir o famoso ditado: “um olho no padre e outro na missa”.

Resumindo a minha opinião no assunto: ficar simplesmente olhando o patrimônio não é bom. Qualquer patrimônio que seja necessita de manutenção. A manutenção de ativos financeiros só não é tão simples como contratar alguém para limpar aquele terreno que você está esperando valorizar. Mas também não é tão complicado.

Sou seguidor das idéias de Benjamin Graham, as quais foram aprimoradas por Warren Buffet. Hoje, após mais de 60 anos de publicadas, suas idéias se mostraram vencedoras. Muitos dizem que estão ultrapassadas, mas curiosamente deram certo em todas as últimas décadas (inclusive a de 2000!). E não existe elas estarem ultrapassadas. Os conceitos são básicos, simples e por mais teorias loucas que escrevem por aí, não dá pra fugir deles.

Um dos conceitos mais importantes (e até óbvios) é que uma empresa precisa ser lucrativa. Que coisa, não? Na verdade, ela deve ter LUCROS CRESCENTES, pois sabemos que a inflação corrói o valor da moeda no tempo. As empresas devem crescer o suficiente para vencer a inflação (o que elas fazem muito bem, pois na pior das hipóteses elas passam a inflação para seus clientes…). Além disso, ela deve ter boas margens de lucro, ser pouco endividada, dentre outros critérios.

Bom, depois de muito blá blá blá, vamos aos números!

Para quem deseja se aposentar com dividendos, como já explicado acima, precisa de um bom fluxo de caixa. E em termos de ações, isto significa ações que pagam gordos dividendos. Existem várias ações na Bovespa que pagam bons valores. O caso clássico é das empresas do setor de energia elétrica. Hoje elas são as que mais pagam dividendos. Sendo assim, uma carteira concentrada nelas seria ideal. Temos algumas boas exceções como a Souza Cruz e, mais recentemente, a Natura.

Assim sendo, parti do princípio do Pobretão, ou seja, um patrimônio de 1,2milhões para montar a carteira.

Montei dois tipos de carteira: uma de 70% do patrimônio voltado para ações boas pagadoras de dividendos. Dos 30% restantes dividi em blue chips, sendo 10% indústria, 10% bancos e 10% setor imobiliário. E também montei uma carteira com 100% em ações pagadoras de dividendos, como proposto pelo Pobretão. Como critério, adotei que todos os ativos deveriam ter pelo menos um histórico de 10 anos de lucros e, por isso, algumas boas empresas que eu gostaria de utilizar não entraram (como Natura).

Além disso, resolvi escolher um bom ano pra começar: 2008! E ainda fiz dois cenários: um no início de 2008 e outro hipotético, onde os ativos teriam sido comprados nos respectivos topos de 2008, ou seja, quando o investidor tivesse realizado as “piores” compras possíveis.

Clique aqui para ver a simulação com compras no início de 2008 e clique aqui para ver o pior momento de cada ativo (aqui, ressalto que a maioria deles teve seu pior momento só no meio do ano, ou seja, o investidor não teria recebido os dividendos do 1º semestre, mas isso é apenas para caráter de estudo; é como se tivesse comprado no início de 2008, só que com preços mais caros).

Apresento os resultados (o FC, fluxo de caixa, já está descontado o imposto de renda):

Carteira Aposentadoria – início de 2008

70% Dividendos
FC Patrimônio DY ∆% Patrim ∆% PatrimAcum
2008-0 - 1.200.000
2008 11.865,16 1.012.662,00 14,1% -16% -16%
2009 16.431,15 1.494.919,00 13,2% 48% 25%
2010 14.078,69 1.667.411,00 10,1% 12% 39%
2011 14.498,65 1.797.568,00 9,7% 8% 50%
100% Dividendos
FC Patrimônio DY ∆% Patrim ∆% PatrimAcum
2008-0 - 1.200.000
2008 14.999,28 1.184.169,00 15,2% -1% -1%
2009 21.269,76 1.638.450,00 15,6% 38% 37%
2010 17.978,48 1.883.363,00 11,5% 15% 57%
2011 18.380,45 2.165.593,00 10,2% 15% 80%

Carteira Aposentadoria – pior momento de 2008

70% Dividendos
FC Patrimônio DY ∆% Patrim ∆% PatrimAcum
2008-0 - 1.200.000
2008 10.019,31 838.544,00 14,3% -30% -30%
2009 13.949,52 1.237.092,00 13,5% 48% 3%
2010 11.904,01 1.385.064,00 10,3% 12% 15%
2011 12.187,13 1.499.640,00 9,8% 8% 25%
100% Dividendos
FC Patrimônio DY ∆% Patrim ∆% PatrimAcum
2008-0 - 1.200.000
2008 12.818,70 983.102,00 15,6% -18% -18%
2009 18.277,04 1.359.764,00 16,1% 38% 13%
2010 15.370,11 1.571.942,00 11,7% 16% 31%
2011 15.581,65 1.813.714,00 10,3% 15% 51%

Olhando para estes números podemos chegar a várias conclusões.

Em primeiro lugar e a mais importante de todas: o fluxo de caixa mensal (FC) não ficou abaixo de R$ 10.000 (líquido de IR) em NENHUM momento.

Outra coisa: o cenário proposto pelo Pobretão (carteira com 100% dividendos) foi a que teve o melhor rendimento, tendo obtido renda muito superior a planejada. Em 2009 a renda média teria sido R$ 21mil (mais que o dobro do planejado!).

Mesmo considerando o pior momento para ter entrado, e um dos piores na história do Ibovespa, os dividendos se mantiveram num nível muito bom. Lembre-se que em 2009 apesar da incrível recuperação da Bolsa, muitos analistas já falavam que a crise estava só começando e era mais profunda. Apesar disso, do subprime ninguém fala mais. A crise da moda é a Europa. De qualquer forma, em 2010 e 2011 a Bolsa apanhou bastante e devolveu muito dos ganhos de 2009.

Ano IBOV ∆%
2008-0 62891
2008 41515 -34%
2009 70240 69%
2010 69962 0%
2011 59265 -15%

Voltando aos números, até que para um momento “terrível” de crise, nosso investidor estaria relativamente tranqüilo, não concorda? Pegando o cenário teórico, hoje ele já teria uma renda em torno de 14,5mil. Se tivesse projetado uma inflação de 6,5%aa, os 10mil de 2008 deveriam valer hoje aproximadamente 12,1mil. Ou seja, ele já estaria ganhando MAIS do que o planejado. E pela carteira de dividendos estaria ganhando 18,4mil!

Vejam que no pior cenário de todos (70% dividendos, pior 2008), mesmo o patrimônio tendo caído 30% no 1º ano, o fluxo de caixa se manteve no pretendido!

Outra coisa interessante é que em todos os cenários de 2009 para 2010 os dividendos diminuíram, mas o patrimônio aumentou. E é este tipo de coisa que nosso investidor deve ficar atento. Ele não quer dividendos diminuindo, ele quer dividendos aumentando. O patrimônio é indiferente!

E é aqui que entra a gestão de ativos. A Souza Cruz possui um excelente histórico de pagamento de dividendos, mas caso ela continue a diminuir, é bom analisar o mercado e verificar o que está ocorrendo. Em caso de as perspectivas não melhorarem, o ideal é se desfazer desse ativo e comprar outro que pague gordos dividendos. Temos aos montes por aí.

De fato, olhando para o DY (dividend yield, neste caso, dividendos anuais/patrimônio) vemos que ele diminuiu ao longo dos anos. Mas se também vimos que os dividendos estão aumentando, isto só pode ser uma coisa: o patrimônio cresceu muito mais rápido que os dividendos!

Olhando para o todo, pegando o cenário padrão, de 2008 para 2011 o patrimônio aumentou 77,5%, enquanto os dividendos aumentaram apenas 22,2%.

Olhando agora para os números da simulação, algo bastante interessante é mostrado nas carteiras de 70% Dividendos.

Com exceção do setor de elétrica, foram 10 ativos selecionados. Reparem que em relação à cotação (ou seja, PATRIMÔNIO) dos 10, apenas 2 valorizaram, mostrando que a crise de 2008 foi uma porrada realmente forte. NO ENTANTO, em relação aos dividendos 8 dos 10 aumentaram! Que coisa estranha, não?

Olhando apenas para estes 30%, o patrimônio caiu em torno de 22,3%. Mas os dividendos aumentaram de 16,0mil anuais para 19,4mil anuais, ou seja, 20,3%, que a juros compostos dá em torno de 6,36%. Basicamente, a inflação projetada.

Ou seja, mesmo tendo perdido 22% do patrimônio, o fluxo de caixa aumentou 20%, acompanhando a inflação! Isso quer dizer que mesmo com essa carteira, má pagadora de dividendos por assim dizer, ele não teria problemas.

Apesar de ser uma análise curta (apenas 4 anos), estamos falando de um dos piores momentos de crise que já tivemos nos últimos anos e o mercado financeiro sofreu bastante. Será que tinha algum outro momento pior para entrar?

Na verdade, analisei o IBOV desde 1992 e de lá pra cá tivemos 3 grandes crises. Curiosamente, em todas elas a queda do topo ao fundo foi em torno de 50%. Foram os seguintes momentos:
1997 a 1998, onde o topo de 1997 foi rompido em 1999;
2000 a 2002; onde o topo de 2000 foi rompido em 2003;
05-10 de 2008; onde o topo de 2008 já foi testado 2 vezes, mas não foi rompido até hoje (março de 2012, onde está próximo de testar).

Ou seja, as piores crises duraram em torno de 2-3 anos; esta de agora, já está com quase 3 anos. Mas mesmo assim nosso amigo investidor não estaria tendo problemas!

E que elas durem 20, 30 anos! Se os dividendos continuarem subindo, pouco importa se há crise ou não!

Por ser um caso “pontual” (visto que estou pegando o rendimento desta carteira e não uma média do mercado), isso impede de chegar a uma conclusão generalizada, obviamente. No entanto os seguintes pontos são muito importantes:

1) Mesmo no pior momento da crise, a estratégia deu certo.

2) Para escolha dos ativos, levei em consideração apenas os seguintes critérios básicos:
> Lucros nos últimos 10 anos;
> Histórico de pagamento de gordos dividendos (alto payout);
> Empresas já reconhecidas pelo mercado

3) Diversificação de ativos

4) Compra realizada no início do ano, sendo indiferente o preço das ações no momento.

Acredito que poderíamos montar diversos tipos de carteira com as características acima e chegaríamos a resultados parecidos.

Creio que com estes números e com tudo que apresentado anteriormente, podemos concluir que SIM, é possível obter uma renda real ao longo dos anos de R$ 10.000 tendo disponível, hoje, 1,2milhão para aplicar.

OBS.: este artigo não representa recomendação de compra ou venda de nenhum dos ativos citados no texto. Como política de transparência, informo que, destes, sou acionista de: Cemig, Copel, Vale, Petrobras e Banco do Brasil.

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OGX: Ouro Negro ou Ouro dos Tolos?

Com o recente início do TLD (Teste de Longa Duração) na plataforma OSX-1, a OGX sofreu bastante especulação subindo bastante no mês de janeiro e ainda em fevereiro. Mas não é para menos, afinal de contas, o segmento de exploração de petróleo é exatamente como dizem:

“O 2º melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo mal administrada.”

Bom, estando a empresa em estado pré-operacional toda a análise fica muito difícil de ser feita, no entanto por ser do setor de petróleo, vou me arriscar a fazer esse tipo de análise (que já andei escrevendo algo no GuiaInvest.com.br), mas dessa vez fui mais fundo.

Antes de chegar na OGX, fiz uma pesquisa na ANP sobre o mercado de petróleo no Brasil nos últimos anos. O monopólio foi quebrado em 1997 e, de lá pra cá, todas as gigantes do petróleo vieram para cá em busca do ouro negro.

Começo pelo gráfico da produção de petróleo no Brasil:

Vejamos, o Brasil levou 10 anos para aumentar de 1.337 kbbl/d para 2.180 kbbl/dia; ou seja, TODAS as empresas exploradoras de petróleo JUNTAS conseguiram um aumento de 843 kbbl/d. A OGX anuncia que pretende chegar a 1,4 milhão bbl/d. Outra coisa interessante é que o crescimento possui um comportamento praticamente linear.

Será que ela consegue? Vejamos, a empresa é nova, não tem know-how. Equanto as empresas de velha guarda como Shell, Chevron, Exxon e a Petrobras, que é pioneira em exploração de águas profundas, JUNTAS mal conseguiram atingir 60% da meta da OGX em DEZ anos!

A maioria das pessoas não sabe que extrair o petróleo do fundo do mar têm dificuldades que vão MUITO além da profundidade. Os problemas de logísticas são GIGANTES e, por ser um oligopólio mundial, não existe muita estrutura. Você não chega e compra um FPSO. Você encomenda, procura um porto no mundo onde seja possível construí-lo, tem que enfrentar diversas barreiras ambientais, treinar mão de obra (totalmente escassa), etc, etc, etc. Mas, continuando…

Vamos a outros números, aqui da produção nacional atual. Vejamos parte da tabela dos maiores produtores do país por operador:

Não vamos tomar a Petrobras como referência, pois é uma empresa de capital misto, e que todos dizem que é mal administrada, é do governo, etc.

Mas a Shell e a Chevron só tem a ganhar explorando óleo aqui e exportando (que é o que eles fazem…). Não consegui ter acesso aos dados de antes de 2001, mas considerando que o monopólio foi quebrado em 1997, é provável que em 2001 a produção deles estivesse engatinhando. E, sendo bastante conservador, vamos dizer que zero (isso é projetar o crescimento deles pro máximo). Ou seja, eles conseguiram chegar a uma média de 75mil bbl/d em DEZ ANOS! Será que a OGX consegue atingir 1,4 milhões bbl/d em 10 anos também?

A Petrobras possui uma meta bem agressiva também: atingir 5 milhões bbl/d até 2020. No entanto, a empresa possui know-how e um caixa muito maior. Mas, vamos inferir sobre a OGX, que é do se trata este artigo.

A OGX estará apenas no ramo de Exploração e Produção, que possui alta margem de lucro líquido. Comparando com a Petrobras apenas neste segmento, fiz as seguintes estimativas, tomando o trimestre 2T11 como referência:

Vale lembrar que ela está diretamente ligada à cotação do petróleo (que também joguei relativamente pra baixo, pois passou de 110 dólares nesse período). Assim sendo, temos uma margem líquida de 35% sobre a receita bruta (produção em barris por dia x cotação do barril).

Vamos supor que a OGX será super bem administrada (!?) e conseguirá uma margem líquida de 55% sobre a receita bruta.

Além disso, façamos as seguintes considerações:

Para a taxa de desconto utilizei 12%, acima do que seria a renda fixa em torno de 10%, pois a taxa de desconto também apresenta o risco embutido no negócio (bem alto para o setor de petróleo), assim sendo, creio ser uma taxa adequada.

Considerei então três cenários: o prometido pela OGX (como visto antes, quase utópico), um no qual talvez ocorra e um cenário um pouco mais realista, da seguinte maneira:

Usando a minha metodologia, peguei a receita bruta desta produção, apliquei o fator da margem líquida, dividi o valor pelo número de ações para calcular o LPA. Com este, foi só fazer o VPL (ou, Preço Justo, como é mais conhecido), como na tabela a seguir:

Não satisfeito, resolvi fazer uma análise de sensibilidade envolvendo todas as variáveis daquela tabela de premissas e obtive os seguintes resultados:

Concluindo, vemos que para o cenário prometido pelo Sr. Eike, seria um excelente negócio adquirir as ações da OGX hoje. Seria… se não olhássemos para o histórico de produção de petróleo no Brasil. Será que a OGX, recém criada do nada terá mais competência do que Shell e Chevron juntas?

Num cenário mais otimista, mais ainda longe da realidade, vemos que as ações poderiam atingir até R$ 49,64, com bom upside em relação ao valor de hoje, mas, como dito, longe da realidade.

E em um cenário com ALGUMA realidade (vejam que estou projetando a produção pra beeeeeeeeeeeem acima do que seria esperado devido ao histórico das outras empresas…), no melhor cenário teríamos uma preço justo de R$ 33,67, enquanto que no pessimista R$ 17,45, mais ou menos a cotação de hoje (meados de fevereiro/2012) e na média de R$ 23,32. Um baixo upside pelo estado da empresa hoje, que é pré-operacional.

Concluindo, os números falam por si só, principalmente os dados da ANP.

OBS.: este artigo não significa nenhuma recomendação de compra ou venda de nenhum dos ativos citados no texto e fiz apenas por estudo. Como política de transparência, informo que não sou acionista da OGX, Shell e Chevron, mas sou acionista da Petrobras.

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O momento é bom para comprar ações?

Ano de 2012 começando, e o mundo das Finanças fica com aquela futurologia toda, tentando adivinhar quanto vai chegar o Ibovespa ao final do ano, preços alvos de ações e etc.

Vou dar um exemplo prático neste artigo para depois extrapolar para o mercado de ações.

Começo com uma pergunta, você tem duas oportunidades de negócio que se apresentam a você, a saber:

1) Franquia com custo inicial de 430mil e lucro anual 25mil

2) Franquia com custo inicial de 290mil e lucro anual de 40mil

Bom, não precisa ser formado em nenhuma faculdade pra saber a resposta. Obviamente a 2ª opção é muito melhor, pois o investimento inicial é menor e o lucro anual é maior do que na 1ª opção.

Percentualmente falando, na opção 1, teríamos um retorno de 25/430 = 5,8% ao ano, enquanto que na opção 2 o retorno seria de 40/290=13,8% ao ano (mais do que o dobro).

Bom e se eu lhe dissesse que a situação um já ocorreu, só que aconteceu uma empresa listada na Bolsa. E, quando ocorreu, todas as pessoas estavam achando um excelente negócio, comprando ações sem parar dessa empresa.

Atualmente, a empresa está na segunda situação, no entanto, o mercado vem castigando ela há um ano, e sua cotação sofreu bastante.

Faz sentido? Não parece, não é verdade?

Bom, estou falando da Petrobras (PETR4). Os valores da 1ª situação são de 2008 (só que em bilhões ao invés de milhares), pouco antes de eclodir a crise, quando as ações estavam na estratosfera e qualquer notícia de descoberta de poço fazia as ações subirem como foguete. Inclusive foi nessa época que saiu a notícia do pré-sal (a qual logo depois descobriram que seria caríssimo pra explorar naquele momento), mas o mercado só queria saber de alegria, pois estava otimista. Mas muito otimismo traz uma bolha. E, desavisados e curiosos são os primeiros a se dar mal. Inclusive, conheço vários que se arrasaram, comprando ações uma semana antes da Bolsa começar a derreter.

Já hoje, o cenário é de total pessimismo, crise aqui, crise não sei onde, e blá, blá, blá. Curiosamente, o lucro da empresa só aumentou de lá pra cá (inclusive, batendo o lucro recorde da América Latina). Mas, hoje a empresa valendo 32,5% menos e com lucro 60% maior, as cotações valem 50% menos!

Muito louco, não? É o pessimismo. Quando no fundo do poço, as pessoas acham que o mundo vai acabar, haverá um colapso mundial na economia, as empresas vão quebrar, enfim, voltaremos à Idade da Pedra. Só que a história mostra que não é bem o que ocorre. As empresas podem até patinar, mas as boas empresas se recuperam.

É nessas horas que você deve confiar no seu conhecimento e COMPRAR. “Mas tá todo mundo fugindo da bolsa, vendendo tudo que tem” você dirá. Mas peraí, quem então está comprando? Seriam os otários ou os espertos? Os apressados ou os pacientes? Os desinformados ou os estudiosos do assunto?

É claro que você deve comprar empresas lucrativas e que, mesmo com a crise futura, muito provavelmente continuarão dando lucros.

E, assim como ocorreu com a Petrobras, existem várias outras ações em situação parecida (lucro aumentou, valor de mercado diminuiu). É só procurar, comprar e ser feliz! Então, respondendo ao título do meu e-mail, SIM, o momento é bom para comprar ações. Ano passado estava melhor, mas ainda tem bastante ação barata por aí.

Deixo aqui uma clássica frase do mundo financeiro, quem tem tudo a ver com a artigo:

“Compre ao som dos rojões e venda ao som dos violinos”

Abraços!

OBS.: informo que em nenhum momento estou recomendando compra ou venda de quaisquer ativos da Petrobras. E, como política de transparência, informo que sou acionista da Petrobras.

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A essência do Mercado de Ações – Parte 2/2

Continuando o artigo que comecei aqui.

Lembrando sobre os agentes superavitários e deficitários, podemos chegar na seguinte situação: alguém (ou uma empresa) tem uma idéia, possui know-how e tudo mais para abrir um negócio bem lucrativo, no entanto, não possui dinheiro para dar o pontapé inicial. Bom, isso é muito comum, não é verdade?

Mas eu estou falando de MUITO, mas MUITO dinheiro. Por exemplo, que tal extrair petróleo para vender? Todo mundo sabe que é super lucrativo, mas como fazer sem dinheiro? Os investimentos necessários para tal estão na casa dos bilhões.

Daí então, a empresa e vai ao mercado e emite ações. As pessoas que comprarem as ações estarão comprando uma participação como donos da empresa e, conseqüentemente,  nos lucros da empresa, para sempre! Ou seja, a empresa junta o capital necessário para iniciar o negócio e reparte os lucros futuros da operação com os acionistas (aqueles que compraram as ações inicialmente).

Acontece que as pessoas foram notando que ser dono é muito bom. O lucro repartido entre os acionistas, dividendos como são chamados, se tornaram uma excelente fonte de renda para aqueles que investiram uma boa grana. E com a empresa crescendo e aumentando o lucro, a renda era cada vez MAIOR. Diferente do velho esquema de renda fixa, onde os juros eram fixos.

E, desta maneira, começaram a surgir modelos de precificação de uma ação. Se uma ação paga algo em torno de 0,10 por ano, podemos dizer, grosso modo, que num horizonte de 5 anos, se eu comprar ela hoje por 0,50, provavelmente estarei pagando barato, visto que vou esperar que os 10 cents aumentem ao longo dos cinco anos.

Assim sendo, as ações começaram a ter valor e, por conseqüência de mercado, começaram a circular, para pagar dívidas, presentes, herança, etc. Um acionista antenado que percebesse que sua empresa está caminhando para falência, poderia vender logo essa ação para algum desavisado (sim, o mercado é cruel). Assim, ele garantiria sua grana hoje ao invés da ausência de dividendos no futuro.

E assim foi, até um ponto que o Mercado de Ações ficou evoluído e é isso que temos hoje.

O problema é que quase ninguém analisa o mercado como deve. Engraçado como a maioria só analisa os preços e oscilação dos preços das ações. Poucos são aqueles que olham para os DIVIDENDOS das ações. É o mesmo caso do McDonald’s que citei anteriormente.

É necessário analisar o lucro da empresa, o crescimento deste lucro e fazer o mesmo para os dividendos. O valor da ação será CONSEQUÊNCIA disso.

E faz muito sentido. Mas o Sr. Mercado é totalmente ilógico. Há casos que a empresa anunciou falência e sua cotação disparou, subiu vertiginosamente. Isso não faz sentido algum, é pura especulação. Quem sabe brincar disso, ganha muito dinheiro, mas também pode perder muito. Mas normalmente quem perde são os desavisados, os atrasados e os iludidos pelo ganho fácil.

Mas, voltando a historinha do Mercado de Ações percebemos que ele foi criado para que todos pudessem aproveitar da renda de um negócio.

Empresas são feitas com uma única exclusividade: gerar lucro! Assim sendo, creio que você gostaria de ser dono de qualquer empresa que desse lucro, correto? Visto que o lucro seria seu…

Ou seja, quando você compra ações, deveria estar pensando em receber os lucros dessa empresa e não esperar subir X% para vender logo em seguida!

Mais pra frente farei várias análises sobre dividendos para explicar isso, mas vou dar um exemplo rápido. A Cemig (CMIG4) ao final de 2002 estava valendo em torno de R$ 2,90/ação. Em 2011 ela pagou em dividendos R$ 2,9961/ação. Ou seja, só em 2011 ela já pagou em dividendos mais do que ela valia há 8 anos atrás. Não estou nem incluindo as bonificações que ela mesmo também distribuiu. A cotação dela, atualmente (final de 2011), está em torno de R$ 33/ação.

Achou interessante? Depois farei aqui análises mais detalhadas sobre o assunto.

Nunca se esqueça: quando você compra uma ação, está comprando uma empresa!

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A essência do Mercado de Ações – Parte 1/2

Galera, fiquei um tempinho sem postar, pois eu estava escrevendo algumas coisas e não estava gostando! Mas enfim, segue aí a 1ª parte deste artigo:

Para entendermos o Mercado de Ações temos que entender primeiramente o Mercado Financeiro.

Na sociedade, temos dois tipos de pessoas. As que possuem dinheiro sobrando e as que precisam de dinheiro. Elas são conhecidas como agentes superavitários e deficitários, respectivamente.

Vamos ao seguinte exemplo hipotético:

Você precisa de R$ 100mil para abrir um negócio, mas não tem esse dinheiro. Esse dinheiro será utilizado para comprar equipamentos, matéria prima, documentação, etc. Você tem certeza absoluta que com R$ 100mil conseguirá abrir um negócio que irá lhe render, por exemplo, R$ 2mil/mês.

Notem o seguinte, se você tiver R$ 80mil você não conseguirá abrir o negócio. Você precisa de R$ 100mil! Menos que isso não adianta.

Bom, digamos que você tenha os tais R$ 80mil. Daí conversando com um amigo seu descobre que ele está com R$ 20mil parados. Você vê então uma oportunidade e faz uma proposta para ele. Já que ele vai entrar com 20% do capital total, você oferece 20% do lucro do seu futuro negócio para ele. Ou seja, os R$ 20mil dele, irão se transformar em R$ 400/mês.

Para ele é um excelente negócio, visto que, do jeito que estava ele continuaria com esses R$ 20mil por toda “eternidade”, enquanto que fazendo este negócio, ele terá uma renda, a princípio, vitalícia (partindo do princípio que a empresa não irá falir).

Para você foi bom, pois o seu negócio se materializou. Não fosse o seu amigo, não poderia existir. Mas agora existe. E agora você possui uma renda mensal que veio disso. Caso seu amigo não existisse, os R$ 80mil ficariam parados.

Bom, o Mercado Financeiro existe justamente para fazer essa ponte entre aqueles que precisam e os que possuem sobrando.

Notem que não falo de necessidade num sentido pejorativo. Um empresário/investidor sempre precisa de um capital inicial e uma ideia para começar um negócio. É normal ter a ideia, mas não o capital.

Assim, temos o seguinte fluxo de dinheiro no Mercado Financeiro:

Agentes Superavitários <==> Mercado Financeiro <==> Agentes Deficitários

A ideia é que você não precisa mais ter um amigo rico para conseguir o dinheiro e nem ter amigos necessitando de dinheiro para poder emprestar. Você faz isso direto no Mercado Financeiro.

Quando você coloca o dinheiro na Caderneta de Poupança, parte dele vai para o Banco Central (como garantia) e parte vai para o Sistema Financeiro Habitacional (SFH), que irá permitir que pessoas utilizem esse dinheiro para construir/comprar imóveis, principalmente as de baixa renda. Simplificando a história, elas pagam juros por esse empréstimo e você irá receber uma parte dele. Não recebe tudo, pois boa parte ficará dentro do Mercado Financeiro (taxas, intermediários, bancos, impostos, etc).

No entanto, o seu dinheiro ajudou alguém em algum lugar a construir/comprar um imóvel e você ainda recebeu alguma coisa por isso. Melhor do que ter ficado parado e sem “utilidade”.

Bom, entendida a sistemática? Você empresta seu dinheiro para alguém, que irá trabalhar e transformar em mais dinheiro. Como o cara está trabalhando e você não, obviamente apenas uma parte pequena dos lucros do cara volta pra você, mas é melhor que ter o dinheiro parado, correto?

Assim funcionam os diversos instrumentos financeiros, por exemplo:

- Debêntures: títulos de renda fixa emitidos por empresas, para que elas possam, por exemplo, aumentar sua produção. Em troca disso, lhe devolvem o dinheiro com juros.

- Títulos do Governo: o governo pega o dinheiro emprestado com você para fazer obras e reformas que possam fazer o país crescer; com o país crescendo, o governo arrecada mais impostos e assim consegue pagar você

Para o exemplo anterior, ao invés de oferecer 20% de participação, o dono poderia oferecer 10%, pois ele iria trabalhar enquanto que a outra parte iria entrar “apenas” com o dinheiro. É vital, mas é a menor parte e o cara iria ter uma renda em casa sem fazer absolutamente NADA, enquanto que o dono iria trabalhar por ele.

Bom entendida a sistemática do Mercado Financeiro? No próximo artigo explicarei em detalhes como isso culmina no Mercado de Ações.

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Como proteger sua carteira das crises na Bolsa

Com as recentes fortes quedas na Bovespa, após um ano meio de ano sendo castigada, muitos devem estar achando que é furada ou muito complicado investir. Mas não é o que parece.

Existem, basicamente, dois tipos de perfis que estão na Bolsa:

- Especuladores

- Investidores

Os especuladores se preocupam apenas com os preços e as notícias. Estão pouco se importando com o momento atual da economia ou desempenho da empresa. O que eles querem é ganhar dinheiro rápido. Para isso, lançam mão de análises gráficas, conhecida como Análise Técnica ou Grafismo e tentam conseguir informações privilegiadas, tentando sempre antecipar o movimento. Desta maneira, quando têm sucesso, conseguem obter um bom lucro numa margem razoável de tempo.

Já os investidores são o oposto e estudam as empresas a fundo, utilizando a chamada Análise Fundamentalista. Os balanços contábeis da empresa são a ferramenta principal e é importante ter conhecimento sobre o tipo de mercado no qual a empresa a ser investida está inserida. Os investidores querem ganhar os dividendos da ação, procurando sempre ter mais ações de qualidade e com bom potencial de crescimento.

A grande questão é que os especuladores podem ganhar dinheiro a qualquer momento na Bolsa. Existem vários mecanismos financeiros que permitem ganhar mesmo com a queda (pior, esses mecanismos são alavancados, ou seja, você opera mais dinheiro do que realmente tem).

De fato, em uma queda, muito mais gente pode entrar, pois o capital necessário é menor, o que torna as quedas ainda piores. Só não sei o real impacto disso, mas que é um fato, é.

Para os investidores que compram as ações e não querem desfazer delas, as quedas são terríveis, pois acabam com o capital. Mas os mecanismos utilizados pelos especuladores nas quedas são justamente os mecanismos que servem para proteger sua carteira.

Isso se chama HEDGE.

O hedge serve justamente para proteger o investidor das flutuações e oscilações do mercado. Na verdade, o mecanismo existe justamente para proteger as carteiras, no entanto os especuladores o utilizam para ganhar dinheiro.

Juntando os conhecimento das análises técnica e fundamentalista, é possível montar boas carteiras de longo prazo e ainda ficar protegido.

Não vou entrar aqui em detalhes, pois a operação não é tão simples. Não é complicada também, mas exigiria um espaço aqui só pra explicar. Basicamente você compra ações ao mesmo tempo em que vende algo que “caminhe junto” da ação.

Fiz uma simulação, da qual não vou entrar em maiores detalhes, mas prestem atenção nos resultados.

Digamos que no final de dezembro você recebeu uma graninha, não sabia o que fazer e chegou e comprou ações da Petrobras. Você foi e comprou 300 ações da Petrobras (PETR4) em 10/12/2007. Naquele momento as ações estavam cotadas a R$ 40,60, ou seja, começamos com um capital de R$ 12.180.

No fechamento de hoje, 09/08/2011, a PETR4 fechou a R$ 19,29. Uma queda de -52,5%! Ou seja, um tremendo prejuízo! Desta maneira, você teria 300 ações a R$ 19,29, um capital final de R$ 5.787.

Mas se tivesse realizado o hedge utilizando minicontratos e usando um gráfico semanal da PETR4, com média de 21 para se guiar nas horas de entrar e sair, seria muito melhor!

A técnica consiste em ganhar dinheiro com a queda e, com o dinheiro ganhado, aproveitar as baixas cotações e comprar mais ações.

Na minha simulação, começando nas mesmas condições, teriam sido feitas 3 operações de hedge. Na primeira, lucro de R$ 3660. Na segunda, prejuízo de R$ 96. Na terceira (atual), lucro de R$ 3000. O prejuízo foi devido ao descolamento da PETR4 com o IBOV devido à capitalização, que assustou muitos investidores.

De qualquer forma, mesmo com um dos três hedges dando errado, no final, teríamos hoje 585 ações da PETR4 cotadas a R$ 19,29, ou seja, um capital de aproximadamente R$ 11.300.

Notemos que o capital é inferior em 7,2% apenas. Basicamente, conseguimos manter o capital, visto que estamos no meio de uma forte crise e as ações estão subvalorizadas. E, muito mais importante, temos agora quase o dobro de ações em carteira! Ou seja, são mais dividendos que você ganha como acionista e terá um retorno muito maior quando vier a recuperação.

Os grandes bancos e investidores estão sempre hedgeados, pois não podem se dar ao luxo de perder 50% de um capital de 1 bilhão, por exemplo.

Essa é uma das maneiras de se proteger contra crises. Existem várias outras.

Grande abraço!

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Lei da Oferta x Demanda – o Princípio da Ganância

Muito se ouve falar sobre a teoria da Oferta x Demanda e muita coisa é explicada através dela. Aparentemente, ela faz todo sentido. Mas será mesmo?

A teoria prega que os preços de um bem são determinados devido a um equilíbrio entre oferta (pessoas que possuem o bem e querem vendê-lo) e demanda (pessoas que não possuem o bem, mas querem comprá-lo).

Por consequência, por exemplo, se há pouca oferta de bens no mercado e muita demanda, as pessoas que estão demandando o bem estarão dispostas a pagar mais para possuí-lo e, assim, o vendedor pode aumentar o preço para aumentar o seu lucro.

O raciocínio inverso também é válido: se ninguém quer comprar, começam a lançar promoções e mega descontos para incentivar o consumo e a venda, ou seja, baixar o preço.

Eu concordo com essa teoria. Mas discordo enormemente da maneira como ela é aplicada e utilizada para explicar subidas de preço absurdas e aceleração de inflações.

Inclusive, tem se falado muito em inflação nos últimos tempos. Com o crescimento da economia, é normal que haja inflação. Mais dinheiro circulando, mais gente consumindo. Espera! Será que isso é normal, MESMO?

Digamos que você seja o dono de uma padaria. Você vende seus pãezinhos num pequeno bairro residencial onde só tem a sua padaria por lá. Assim, você consegue uma margem de lucro de 30% sobre cada pãozinho vendido. Tudo bem?

O movimento é bastante pacato e você está feliz, seu negócio super bem, sem dívidas, e nada lhe atrapalha.

Bom, eis que uma construtora surge e constrói um prédio bem na frente da sua padaria, de 20 andares. De repente, as vendas de pães na padaria triplicam!

Vamos parar aqui agora: quanto o seu lucro aumenta? Para facilitar, vamos adotar que também três vezes!

Pergunto eu agora: não era para você, o dono da padaria, estar mais feliz do que nunca? Seu lucro triplicou! Existe realmente a necessidade de aumentar o preço?

Mas não… o ser humano hoje é ganancioso! Não sei se é cultural ou de natureza, o fato é que o olho cresce e você vai aumentar os preços, obtendo agora uma margem de 50%.

Isto significa que, por exemplo, um pãozinho que custe R$ 0,50 para produzir e seja vendido a R$ 0,65 (retorno de 30%), irá aumentar para R$ 0,75. O aumento de R$ 0,65 para R$ 0,75 equivale a 15% de aumento para o consumidor!

Agora, isto é uma baita duma sacanagem com o pessoal que já morava ali antes, não é verdade? Além de ter que conviver com mais pessoas, mais barulho, maior trânsito ainda se vêem obrigados a pagar mais caro pelo pãozinho de cada dia!

Mas aí alguém vai gritar “Mas é a lei da Oferta x Demanda”!

Para mim é o Princípio da Ganância. Por exemplo, se a matéria prima fosse escassa e a padaria não tivesse condições de atender toda a demanda, um aumento de preços poderia até ser justificado. “Poderia”. Porque não melhorar a infraestrutura para poder atender esta demanda e, consequentemente, vender mais? “Ah, mas isso exige investimento”. Sim, é claro que exige, mas haverá um retorno muito maior. Caso o investimento fosse feito, é provável que também fosse necessário, digamos, contratar mais um funcionário, gerando mais renda para a economia local.

Mas não. É mais fácil aumentar o preço e prejudicar a todos.

Todos? Sim, todos! Pensemos: quem foi o único cara que se deu bem na história? Você, o dono da padaria! Todas as outras pessoas saíram prejudicadas. Muito provavelmente, até os novos moradores, que quando foram visitar os apartamentos deram uma passadinha na padaria pra fazer um lanche e agora devem estar um pouco chateados devido ao aumento do preço.

E são essas pessoas que empurram a inflação pra frente e depois ficam reclamando “Essa inflação está acabando com meu negócio e o governo não faz nada”. Cínicos! Eles criam a própria inflação, alegando a desculpa da oferta x demanda e ainda culpam terceiros.

A decisão de aumentar os preços, apenas pela ganância, fez com que fossem criados mais gastos para os moradores antigos, os maiores prejudicados na história.

Você, o dono, já teve seus lucros triplicados, muito provavelmente deve estar com um bom dinheiro em caixa. Poderia pensar em ampliar a padaria, para vender mais, gerar um emprego talvez. Ou seja, melhorar de fato a economia.

Mas ser ganancioso é mais simples, mais cômodo. E também é um desrespeito ao próximo. Oferta e demanda? Ganância, isso sim!

E é assim que o capitalismo funciona. Quem está no topo e pode definir a quanto vai vender seus produtos, nunca terá problemas com inflação, pois ele é o causador da inflação!

Um exemplo que fiquei sabendo esses dias reflete bem que quero dizer. Minha namorada está fazendo um cursinho que tem uma lojinha lá dentro para vender salgados para que os alunos possam lanchar nos intervalos. O misto-quente estava custando R$ 2,50. No entanto, assim que ficou confirmada uma nova turma e que em torno de mais de 60 pessoas iriam entrar, o dono imediatamente aumentou para R$ 3,50. Um aumento de 40%! Pode ser apenas especulação, mas também é muita coincidência, né? Ele não vai vender mais de qualquer jeito? Já não vai aumentar seus lucros? Por que então aumentar o preço? Oferta x Demanda? Por algum acaso, o queijo na cidade vai acabar? O presunto talvez? Ou seria o pão de forma? Quem sabe a manteiga? E a energia elétrica, colapso a vista? A resposta é ganância!

A Lei da Oferta x Demanda vale para quando os bens são limitados, pois aí sim, as pessoas com receio de não ter condições de ter o produto, ficariam dispostas a pagar mais. Mas este não é o caso!

De fato, na maioria esmagadora das vezes, este não é o caso! A verdade é que o ser humano hoje é ganancioso e não percebe que essa ganância destrói a sua própria sociedade.

E, novamente, com este exemplo, a única pessoa que ganhou foi o dono da lojinha. Todos os outros irão pagar pela sua atitude (de ganância).

E ainda se ensina por aí que Oferta x Demanda é normal…

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Comprar à vista ou parcelado?

Lembra de toda aquela conversa de valor do dinheiro no tempo? Pois então, naquele artigo eu perguntei se você utilizaria isso no dia-a-dia. E uma das coisas interessantes que surgem é justamente quando vamos realizar uma compra e temos como forma de pagamento a opção entre parcelar ou pagar à vista.

Se os valores são diferentes e os tempos são diferentes, não é uma conta que você simplesmente faz a soma e vê. O ideal é analisar.

Primeiramente, entendam: este artigo vale para quando você pode escolher entre pagar as prestações ou utilizar o que seria o valor das prestações para aplicar! Ou seja, se você fosse assumir as prestações teria que pagar, né? Ao invés de pagar a vista apenas, porque não pegar o que seriam as prestações e aplicar? Você poderia programar no banco pra fazer os mesmos aportes mensais.

Está confuso? Deixe eu dar um exemplo:

Você tem R$ 10.000 na Caderneta de Poupança, que estão lhe rendendo R$ 50 por mês. Você quer comprar um bem que custe R$ 600 à vista e o gerente da loja fala que você pode pagar em 12 vezes sem juros, ou seja, 12 prestações de R$ 50. Além do dinheiro que a poupança lhe rende, você pode pagar, com o seu salário, os R$ 50/mês. Daí então surge uma dúvida:

“Se eu pagar à vista, vou me descapitalizar (pois terei menos juros por mês), mas em compensação me livrarei da dívida.”

Ficamos então com duas opções:

1 – Não mexer na Caderneta de Poupança e ir pagando as prestações mensais.

2 – Tirar o valor à vista da Caderneta de Poupança e o valor das prestações ir aplicando todo mês, durante o mesmo período que seria a compra.

Como saber se vale à pena comprar à vista ou parcelar?

É muito simples: se os juros da sua aplicação forem maiores que os juros sobre o valor parcelado, então vale a pena parcelar. Caso contrário, deve-se comprar à vista.

A questão é que nem sempre é simples saber quais são os juros do financiamento.

No nosso exemplo, os juros parcelados foram zero, visto que o preço à vista ficou igual ao total parcelado.

Isso, basicamente, não existe! Se você quiser pagar à vista e não quiserem dar um desconto, chame o gerente. E, se mesmo assim, ele não quiser dar, então pague parcelado! Use os seus conhecimentos a favor de você!

Eu fiz umas “matemágicas” e cheguei na seguinte relação:

Onde,

Pvis = Preço do bem à vista

A = valor da prestação

i = juros mensal do seu rendimento

n = número de prestações (em meses)

Para valores pequenos, esse raciocínio não faz muita diferença, mas preste atenção ao seu cartão de crédito e veja quantas coisas estão parceladas lá e faça a soma. O dinheiro pode estar indo embora e você nem está notando…

Mas uma diferença monstruosa ocorre quando estamos falando de financiamentos de bens mais caros, como carros e apartamentos.

Fiz uma simulação de financiamento de carro, a juros de 1,2%am, utilizando o Sistema Price (muito comum)

Valor do Carro à Vista: R$ 35.0000

Financiamento: 48 parcelas fixas de R$ 1.095,13 (Sistema Price)

Fazendo a comparação, se você dispusesse desses R$ 1.095 sem problemas de aplicar durante os 48 meses a juros de 0,5%am (Caderneta de Poupança) ao final teria:

Compra à vista: 1 carro + R$ 59.244 na conta

Compra parcelada: 1 carro + R$ 44.467 na conta

Ou seja, teria em torno R$ 14.780 a MENOS se a compra fosse parcelada. Daí faz diferença, né? O mesmo raciocínio vale para imóveis, onde o peso é ainda maior.

Jamais esqueça do valor do dinheiro no tempo e da força dos juros compostos!

[]s!

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Fugindo da Inflação – calculando os Juros Reais

Com certeza absoluta, uma das maiores preocupações que temos quando começamos a pensar em investimentos de longo prazo é a inflação.
Outro dia mesmo discutindo com uma amiga minha ela comentou “Mas aí esse dinheiro vai ser todo corroído pela inflação”.
Dividi este artigo em duas partes para “fugirmos” da inflação:

1 – como calcular a SUA inflação

2 – como calcular os juros reais (ou seja, já descontados da inflação)

Vamos lá!

1 – Como calcular a SUA inflação

A maioria das pessoas utiliza ou o IPCA ou o IGPM quando se trata de inflação pra fazer seus cálculos. No entanto, o correto é calcular a SUA inflação. Isso mesmo, como se fosse uma inflação pessoal. Criei uma tabelinha imaginária abaixo:

Mês 1 7 13 19 25 Var. (%) Média Var. pela Média
Aluguel 700 700 756 756 817 16,7 - -
Luz 90 78 87 80 87 -3,3 84,4 -3,0
Água 35 28 32 26 32 -8,6 30,6 -4,4
Gás 30 30 31 32 31 3,3 30,8 -0,6
Compras 200 190 210 200 220 10,0 204 -7,3
Celular 80 83 81 77 86 7,5 81,4 -5,3
Total 1135 1109 1197 1171 1273 12,2 1248,2 10,0

Essa tabela representa o que seriam os gastos de uma pessoa do mês atual e a variação destes gastos a cada 6 meses, durante 2 anos.

A outra premissa é de que a o aluguel tenha sido ajustado pelo IGPM, na média de 8% ao ano (bastante razoável para os últimos anos, onde tivemos até reajuste deflacionário).

A coluna “Var. (%)” representa a variação do quanto a pessoa gastou no último mês em relação ao primeiro. Como já temos a inflação do aluguel e os gastos ficaram relativamente constantes, então fiz também a coluna de variação por média.

Conclusão, em relação ao último mês, houve inflação de 12,2% e, na média, 10% no período de 2 anos.

Qual utilizar nos cálculos de longo prazo? A média é mais indicada.

Reparem o seguinte: digamos que o tomate tenha aumentado 40% no primeiro ano. Se o mesmo produto não está dentro da sua cesta de consumo, é provável que não faça muita diferença pra você! Caso você fosse viciado em tomate, certamente seria um problema.

Bom, a conclusão aqui é que você deve acompanhar os seus gastos. Eu sei que é algo chato, mas não esqueça que é o SEU dinheiro e o SEU futuro que estão em jogo. Calcular a “inflação pessoal” é muito mais real.

2 – Como calcular os juros reais

Na verdade, este é bem fácil. Pegue a inflação média mesmo. No nosso exemplo, de 10% em 2 anos, seria então 10/2 = 5% ao ano.

Peguemos agora algum rendimento qualquer. Digamos que você tenha contratado um título pré-fixado de taxa de 13%aa. Essa taxa é chamada taxa NOMINAL, ou seja, aquela que você vai receber em dinheiro. Para achar o rendimento REAL, descontado da inflação, deve-se utilizar a seguinte relação

Juros reais = (1 + Juros Nominais) / (1+Inflação) – 1

Para o nosso exemplo:

Juros Nominais = 1 + 13% = 1 + 13/100 = 1+0,13 = 1,13

Inflação = 1 + 5% = 1 + 5/100 = 1+0,05 = 1,05

Juros Reais = 1,13/1,05 – 1 = 1,0762 – 1 = 0,0762 = 7,62%

Esses são os juros REAIS, ou seja, já descontados da inflação.

Assim, se você fizer um Planejamento Financeiro utilizando essa taxa, não precisa se preocupar com a inflação, pois ela já está embutida aí. Vejamos outra tabela:

Ano Nominal Real Inflação
0 1000,00 1000,00 -
1 1130,00 1076,20 53,80
2 1276,90 1158,21 118,69
3 1442,90 1246,46 196,44
4 1630,47 1341,44 289,03
5 1842,44 1443,66 398,78

Para o caso em questão, se você tivesse uma aplicação de R$ 1.000,00 a juros nominais de 13% e reais de 7,62% (como no nosso exemplo), teríamos daqui a 5 anos R$ 1.842,44, mas com poder de compra de hoje de R$ 1.443,66. Na verdade, só coloquei o nominal para exemplo. Utilizando os juros reais você já vai corrigir para o valor de hoje e assim permitir comparações simples.

Para fechar, fiz uma tabela de comparação de juros reais de quatro aplicações:

- Caderneta de Poupança

- Renda Fixa

- Ações + Renda Fixa

- Ações

Chamei de Ações um investidor que estuda muito o mercado e conseguirá rentabilidade maior que os demais. Segue o exemplo:

Juro/Ano Poupança Renda Fixa Ações + RF Ações
Nominal 7 10 12 15
Inflação 5 5 5 5
Real 1,90 4,76 6,67 9,52
0 10.000,00 10.000,00 10.000,00 10.000,00
1 10.190,48 10.476,19 10.666,67 10.952,38
2 10.384,58 10.975,06 11.377,78 11.995,46
3 10.582,38 11.497,68 12.136,30 13.137,89
4 10.783,95 12.045,19 12.945,38 14.389,12
5 10.989,36 12.618,77 13.808,41 15.759,51
6 11.198,68 13.219,66 14.728,97 17.260,42
7 11.411,99 13.849,17 15.710,90 18.904,26
8 11.629,36 14.508,65 16.758,29 20.704,67
9 11.850,87 15.199,54 17.875,51 22.676,54
10 12.076,60 15.923,33 19.067,21 24.836,22

Ou seja, colocando R$ 10.000 hoje na Caderneta de Poupança, você teria o equivalente a, aproximadamente, R$ 12.000 daqui a 10 anos! Não parece muito vantajoso, né? Já na Renda Fixa este valor já pularia para quase R$ 16.000, enquanto que os rendimentos com ações seriam bem superiores. Tirem suas próprias conclusões sobre esta tabela.

O que importa é que agora que você já sabe calcular os JUROS REAIS e pode fazer seu Planejamento Financeiro sem precisar se preocupar com a inflação. O segredo é ir monitorando seus juros reais para ver se tudo caminha bem!

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